Posts Tagged ‘rogério nunes’

Minha Vida com Diabetes - Rogério Nunes

quarta-feira, fevereiro 18th, 2009

Sou diabético tipo I há 20 anos, tenho cegueira congênita em ambos os olhos. Quando da descoberta de que tinha diabetes, passei a tomar insulina, utilizando-me de seringas para realizar as aplicações. Fato este, que tornava-me bastante dependente de outras pessoas que pudessem fazer essas aplicações. Visto que as seringas, não apresentam nenhuma maneira para que uma pessoa cega identifique qual a dosagem de insulina que está sendo colocada.

Este problema foi superado quando passei a usar a insulina nas canetas. Pois, a caneta já vem com a insulina em seu interior e, quando vamos preparar a dosagem a ser aplicada, ela emite um barulho que faz com que identifiquemos que a cada som emitido, é uma unidade que está sendo colocada.

Isto, hoje, permite que eu possa desenvolver minhas atividades do dia-a-dia, como: trabalhar, estudar, viajar etc; sem o transtorno de sempre procurar alguém para realizar a aplicação de insulina.

Apresento esse relato, pois se por um lado não mais enfrento problemas quanto a aplicação de insulina, por outro lado, não posso dizer o mesmo no que se refere à realização de exames para verificação da taxa de glicose.

Uso o aparelho da Accu-Chek (Active), também já utilizei aparelhos de outras marcas, e até hoje não encontrei nenhum que me permita realizar meus exames sozinho.

Vivemos em um tempo de acelerada evolução tecnológica. Inclusive, em relação a criação e desenvolvimento de aplicativos (softwares), que têm melhorado consideravelmente a vida dos cegos.

Como exemplo, podemos citar: softwares leitores de telas para computadores e celulares, aplicativos esses complexos e importantíssimos. Apresento tais exemplos que foram criados e continuam sendo desenvolvidos, para mostrar a quem de direito, que não seria muito difícil tornar nossos aparelhos de medir a taxa de glicose, acessíveis para as pessoas cegas.

Se não vejamos. Para que uma pessoa cega consiga realizar um exame para verificação da sua taxa de glicose sem depender de ninguém, bastaria o aparelho emitir algum aviso sonoro quando for o momento de colocar a fita no local, emitir um outro aviso confirmando que isso foi feito corretamente e uma maneira de transmitir o resultado do exame que poderia ser através de bipes diferenciados para identificar as centenas, dezenas e unidades.

Essa é apenas uma das maneiras que poderia ser implantada. Claro que com o amadurecimento da idéia, podem surgir outras inúmeras alternativas para permitir o uso de forma independente desses aparelhos por parte das pessoas cegas.

Sinto, que isso é algo urgente. Pois, a medida que tomo a liberdade de fazer esse relato, temos no Brasil um número considerável de deficientes visuais que são diabéticos. Até porque, o diabetes, é uma das doenças que mais causa cegueira.

Portanto, sugiro que seja levado em conta o que foi abordado neste relato, para que muito em breve as pessoas cegas disponham da mesma facilidade que têm para aplicar insulina quando fazem uso da caneta, na realização de exames para verificação da taxa de glicose.

Veja a reportagem sobre Rogério Nunes, na afiliada da Rede Globo, em Campina Grande (PB)