Depoimento de Antônio Rocha

Boa tarde, tudo bem?

Meu nome é Antônio Rocha, sou diabético há mais de 40 anos, fiquei diabético com 1 ano e 2 meses de idade. Pratico atividade física, hoje diariamente, por cerca de 1 h 30 min. Por um acaso até hoje não desenvolvi uma lesão decorrente do diabetes, não tenho um único micro aneurisma na retina, tenho ótima condição renal, minha eletroneuromiografia de membros superiores e inferiores feita em final de 2010 pelo Sérgio Szklarz tem como conclusão: normal.

 

Disse por um acaso porque à época em que fiquei diabético se usava NPH e só em casos extremos se usava a Regular. Não existia glicosímetro, nem Lantus, nem Levemir, nem insulinas ultra-rápidas, os testes eram feitos com base na urina que era colocado em tubo de ensaio com um “veneno” intitulado de reagente de Benedict. Meu escore de cálcio coronariano é zero. Não tenho obstruções nas carótidas nem nas vertebrais (exame feito com Luciano Belém no Pró cardíaco).

 

Minha condição cardiorrespiratória em 2010 foi avaliada na esteira Pró cardíaco pelo Luciano Belém e pelo Fernando César, resultado: excelente. Minha freqüência cardíaca em repouso é de 64, aproximadamente. Meu perfil lipídico é de fazer inveja a quem não é diabético, 33 de triglicérides, 46 de LDL e 114 de HDL. Vale à pena fazer atividade física intensa e ingerir gordura saturada de forma moderada. Não fumo, não bebe, não excedo na alimentação, evito excesso de CHO e não como doces dietéticos, a uma, porque o gosto é medonho, a duas, porque para mim acarreta diarréia ainda que usado de forma comedida. Não uso nem refrigerante zero.

 

Quando eu tinha mais ou menos 7 ou 8 anos lançaram um refrigerante de nome TAB, que provavelmente por interesses comerciais foi logo retirado do mercado. E eu me acostumei a não fazer uso de refrigerante. Hoje os refrigerantes ditos light, diet e zero não mais exercem qualquer atração para mim. Vivi anos da minha vida sem eles e não será hoje que farei uso de tal produto. Desde o surgimento dos glicosímetros no Brasil, por volta de 1985, passei a fazer um controle super estrito que à época em que desenvolvi a doença que me levou à internação no Hospital dos Servidores do Estado em razão de cetoacidose não era possível.

 

A internação foi determinada pelo inolvidável Professor José Procópio Rodrigues do Valle. Após a comercialização no Brasil da 1ª insulina ultra-rápida (leia-se: Humalog) passei a usá-la constantemente. A essa época já fazia múltiplas doses de insulina NPH associada a várias doses de Humalog. Como sou diabético há muitos anos e à época em que abri o processo não tinha praticamente nenhum recurso como existe hoje, v.g., sistema de infusão contínua de insulina, que apenas faz uso da ultra-rápida (seja, Apidra, NovoRapid ou Humalog) a título de basal administrada de forma super fracionada e bolus de refeição e correção, hoje procuro fazer um controle super rigoroso, faço glicada de 5,6% e frutosamina de 2.83 mmol/L.

 

Confesso que hoje fico procurando exames e mais exames a fim de checar minha condição. Quando fiquei diabético meu primeiro endócrino foi o Francisco Arduino, escolha é claro do meu pai, pois quem tem 1 ano e pouco não escolhe médico, depois por motivos que nunca indaguei do meu pai o Francisco Arduíno foi substituído pelo Procópio do Valle com quem fiquei até quando ele teve condições de exercer a medicina. Meu médico atual também já está idoso, mas ainda exerce a medicina e por isso aqui deixarei de declinar seu nome, embora tenha por ele um grande respeito.

 

Sou imensamente grato aos três grandes endócrinos de cuidaram de mim e numa época em que eu era uma “avezinha” rara me mostraram que um homem não vale pelas pernas, mas pela cabeça. Hoje se escuta a torta e a direito que fulano é diabético, quando entrei para escola essa doença não era badalada, era algo quase que inusitado. Não sei qual a condição dos meninos, hoje, homens maduros que eu conheci no Hospital dos Servidores do Estado, mas acredito que a grande maioria tenha perdido a visão, faça diálise ou hemodiálise, tenha amputado algum dedo ou mesmo uma perna.

Não sei o quê aconteceu com aqueles meninos. Decerto que muitos já faleceram. Eu acho que contei com bons médicos, apesar de poucos recursos disponíveis, contei com minha disciplina, contei com a participação do meu pai, que me proporcionou condições de me tornar engenheiro. Hoje temos Internet etc. etc., a relação médico-paciente mudou muito, não sei se para melhor ou para pior, mas que mudou, mudou. Hoje, paciente “dá pitaco”, pede esse ou aquele exame, discorda do médico e na minha opinião até desrespeita os profissionais de saúde, da mesma forma que os pais hoje são desrespeitados.

 

Outro dia fiz um Doppler Collor de membros inferiores arterial e o médico que executou disse o exame disse o seguinte: “pelo tempo de diabetes que você tem eu espera uma obstrução generalizada, no entanto, não há uma única obstrução, parabéns.” Acho que a sorte sempre esteve ao meu lado, apesar do meu empenho que é algo que foge ao padrão. Quando cheguei em casa observei que o exame supracitado, salvo melhor juízo, não examina vasos “pequeninos”.

 

Consta das observações gerais do exame o seguinte: “avaliamos bem o sistema arterial desde a região inguinal até o dorso do pé”. Fala em artéria femoral, artéria poplítea, tronco tíbio-fibular, artéria tibial. Indago: o exame que fiz não pegou vasos finos, bem pequeninos, que, salvo engano, é onde se localizam os problemas de “obstruções” dos diabéticos.

 

Estou certo ou errado? Há algum exame que tenha como avaliar os vasos que ora chamo de superfinos? Abraço, Antonio Rocha

 

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