Nós, os Parentes

Cristina Dissat, mãe Nadyr Dissat

00603_lagoa032Há cerca de dois meses pensei em escrever um texto desabafo. Estava me sentindo completamente impotente, sem conseguir ajudar minha mãe a entender o que era o tratamento do diabetes e o que ela precisava fazer para continuar bem.

Ela está com 85 anos e o diagnóstico de diabetes tipo 2 aconteceu há cerca de quatro anos. A aflição era grande já que trabalho como jornalista na área de diabetes e endocrinologia desde 1990, ou seja, a gente lê tudo, entrevista, assiste palestras e acaba ficando muito bem informada.

Bom… para encurtar a história foi preciso ela levar um susto para que me ouvisse mais e deixasse de me ver como  “a chata” e a que ficava de olho em tudo o que ela comia. Agora posso,realmente, ajudá-la, trocando idéias, falando sobre alimentação, etc.

Foi aí que fiquei pensando o que nós, parentes de pessoas com diabetes, vivenciamos todos os dias. Nós estamos sempre atrás de novas esperanças, alimentos diferentes e tudo mais que pudermos encontrar para ajudar no dia-a-dia de nossos pais, filhos, irmãos ou avós.

Em uma das enquetes realizadas pelo site da SBD, observamos que o percentual de parentes que visita o site é muito grande. Com certeza para se informar mais e ficar atento a todas as novidades nas pesquisas, tratamento e nutrição. Então… é hora de ouvi-los também. Queremos saber o que sentem, como fazem para ajudar e dar espaço para o desabafo também. Que tal comentar sobre a sua história aqui no Blog da SBD.

Começamos pela própria equipe de jornalismo do site da SBD. A seguir, Beth Santos, Sandra Malafaia e Pablo de Moraes falam um pouco sobre seus pais com diabetes.

Depoimento Beth Santos, mãe Nair Matoso

beth_maeQuando minha mãe foi diagnosticada com diabetes ela tinha 80 anos, quase 81. Claro que com esta idade temos hábitos alimentares e de comportamento pra lá de arraigados. Fica mais difícil promover qualquer mudança, pequena que seja.

Uma das primeiras dificuldades foi fazer com que ela absorvesse a noção de que não deveria mais consumir diversos alimentos calóricos, ou diversos carboidratos, numa mesma refeição. Foi demorado conseguir que mudasse o hábito de fazer uma refeição com arroz, feijão, batata, farofa, bife, salada, suco de frutas. E sorvete na sobremesa. Precisei explicar durante muitos meses que a batata e a farofa, por exemplo, deviam sair dessa refeição. E deixar o sorvete (diet), ou uma fruta, para o lanche. Ou seja, não concentrar tantas calorias numa refeição, mas parcelá-las em diversas refeições e lanches intermediários. Lentamente ela foi aceitando a mudança, passando a administrar bem esta questão. Hoje, quase quatro anos depois, virou rotina.

Depoimento Sandra Malafaia, pai Geraldo Malafaia

Meu pai tem diabetes tipo 2 e, atualmente, trabalho como repórter da área de saúde. Acho que estou “no lugar certo, na hora certa”. Isso porque, assim, tenho um melhor embasamento para ajudá-lo, além do seu endocrinologista. Ele sempre adorou doces e, com o desencadeamento do diabetes na terceira idade, o grande problema foi controlá-lo nessa questão. No entanto, como sua alimentação é bastante saudável, conseguimos chegar a um acordo: um chocolate diet (daqueles bem pequenininhos) por dia. O problema é quando é aniversário de alguém da família. Temos que ficar de olho para que ele não avance nos docinhos!

Depoimento Pablo de Moraes, mãe Deolinda de Moraes Rita

pablo-e-mae-02Conviver com diabetes faz parte da minha rotina desde que nasci: minha mãe o adquiriu quando estava grávida. Tenho duas observações a fazer sobre isso. A primeira delas é que é interessante acompanhar esse processo, principalmente quando seu parente realmente se cuida e leva a sério a dieta a ser seguida. Você aprende a lidar com isso e a se controlar, se alimentar melhor. Quem convive acaba, de certo, modo, se alimentando como tal. Em casa, por exemplo, mesmo quando criança, dificilmente se comia bolos ou doces caseiros, e maneirávamos nos carboidratos. Nossos cafés e sucos eram com adoçante, e não com açúcar, hábitos que mantenho até hoje, mesmo não morando mais com ela.

Minha segunda observação é que aprendemos como agir no caso de uma hiper ou hipoglicemia, a conhecer os sintomas. Em casa, sempre tivemos um cuidado especial com minha mãe, principalmente após 1986, quando ela teve uma infecção renal, e seu pâncreas parou de funcionar, obrigando-a a injetar insulina. Meu pai assumiu a missão de “aplicador” com vigor. Enfim, conviver com uma pessoa com diabetes, para mim, não foi um sofrimento, mas sim um aprendizado.

 

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14 respostas to “Nós, os Parentes”

  1. Miriam Melo Says:

    Oi!
    Gostaria de contar um pouco da minha experiência com a diabetes. Tenho 16 anos e á pouco tempo tive anemia,mas como consegui uma vaga em Postos de Saúde (hoje em dia é muito demorado, eu quase morri porque a minha anemia foi ficando mais séria com o tempo). Nem sabia o que eu tinha, durante um ano eu passei muito mal, e graças á Deus faz um mês que eu me curei depois de fazer um tratamento com comprimidos.

    Bom, mas o que isso tem á ver com diabetes? … Durante todo esse tempo que eu fiquei muito mal, uma pessoa em especial me ajudou muito! Ele não me conhece e eu conheço o conheço pessoalmente, porém, através da música, estou falando do Nick Jonas! da banda “Jonas Brothers” . O Nick descobriu que tem diabetes desde novembro de 2005, e até hoje ele luta contra ela, no começo ele ficou muito deprimido até porque não conhecia nada sobre a doença. Então, ele assumiu publicamente em um show que tinha diabetes e fez uma instituição para crianças com o mesmo problema. Quando eu digo que ele me ajudou, é por que como eu não sabia o que tinha e cheguei a pensar que eu estava com diabetes, porque os sintomas eram muito parecidos. Eu tive muito medo de estar com diabetes, mas eu aprendi muita coisa com o Nick e o principal foi que mesmo com a doença ou qualquer outro tipo de obstáculo, você aprende muita coisa.
    Ano passado foi um ano muito complicado na minha vida,mas a melhor coisa foi conhecer o Nick,os Jonas em geral,e saber que eu posso enfrentar qualquer coisa, eu amadureci muito e uma das coisas que eu prometi quando estava mal foi que, jamais podemos desistir de viver.
    E uma das promessas que fiz, foi de ajudar quem estiver sofrendo com qualquer tipo de doença ou problema assim como o Nick. Aqui estou! Sei que não é muito, mas eu sei que eu posso ajudar alguém com os meus textos, desabafos e poemas de reflexão, então se alguém ler esse texto, me envie um e-mail (Mialovejb@hotmail.com)ou uma mensagem, eu estou disposta á ajudar.

    Até breve. Fiquem com Deus.

  2. Claudia Says:

    Penso que seja de extrema importância a SBD divulgar estes depoimentos, pois com certeza eles servirão de exemplos para muitas outras familias.

    Sabemos que diante de uma doença crônica, como a diabetes, não só o diabético sofre. Há toda uma mudança de rotina, comportamentos e hábitos.

    Atualmente existem vários estudos que debatem o papel da familia diante de uma doença, de modo que todos destacam a importância do cuidado da mesma.

    Parabéns à todos os parentes.
    E também à SBD.

  3. Adelaide Rodrigues Says:

    Minha filha tem diabetes tipo 1 no começo da adolescência, mas até hoje eu não acho justo. E me revoltei principalmente com relação a religiões. Não suporto a frase: Deus sabe o que faz. Bom, não vou direcionar meu depoimento por esse caminho. Desde a descoberta do diabetes nossa família estamos sempre a procura de informações e de produtos para ajuda-la. Mas ela sabe mais do que nós e também está sempre se atualizando. É super controlada e consciente. Hoje aos 25 anos ela está muito bem e tem um filhinho que está com 2 meses. Lindo e saudavel. Apesar da rotina a minha preocupação é diária.

  4. Luiz Santinácio Says:

    Os depoimentos veiculados se tornam interessantes a todos que temos alguém diabético em nossas famílias. Atualmente passo por séria dificuldades, pois minha Mãe tem 80 anos, há dois é diabética e não aceita a dieta e a medicação que precisa ser administrada 2x ao dia, pois ocorre o aumento da pós-prandial. Alie-se o fato da hipetensão. Sempre que almoça em casa de minha Irmã, que não observa os critérios de alimentação para minha Mãe, vejo-me obrigado a conduzi-la à Urgência hospitalar e acionar sua Endócrina, por sinal, uma profissional de excelência. O segundo ponto é que os irmãs e irmãs não estão nem ai para o real problema. Por mais que tente eles fazem pouco caso.Atualmente, percebe-se um quadro de depressão.Deixei de fazer muitas coisas no âmbito profissional para aompanhar minha Mãe 24h.

  5. isabel Says:

    sou diabetica,descobri aos 13 anos, foi um sufoso,meus pais estavam desmpregados,e eu tinha uma dieta rispida a ser cumprida,fiquei internada 1mes e meio,quando sai vi a dificuldade q era para conseguir medicamento,até q na rede pública as consultas passaram ser uma vez por ano,para quem naum se controlava tempo demais,para asustar as doses,naum tinha como ir ao médico particular,mas hoje trabalho,tenho convenio com plano de saúde,e compro as insulinas,graças a Deus estou aqui para contar-lhes isso.

  6. isabel Says:

    é eu que o diga,perdi meu avÔ faz 4anos,por causa de uma diabetes descontrolada ele pedeu dedo do pé,tratavamos mas se tornou uma grangrena,teve que amputar a perna, quando estava sicatrizada, foi descoberto q a outra perna estava comprometida,e amputaram,dessa vez foi pior pois meu pai junto com os irmaos tivaram q opitar e assinar um termo de responsabilidade,foi feito mas por causa de paradas cardiacas ele veio a falecer,foi Deus que permitiu,ele era um anciao, nos amavamos o vÔvÔ,ele era a estrutura moral e espiritual da nossa família,mas amém,parace que para mim ele deixou o legado da diabetes,mas ela naum vai me vencer!!!!!!

  7. Carol Says:

    É realmente tão dificil para nó parentes quanto para eles, pois nos preocupa cuidar deles

  8. Lucia Gisele de Oliveira Says:

    Ola, me chamo Lucia Gisele sou de São José dos Campos, descobri que tenho diabetes tipo 1 à 3 meses e estou procurando conviver bem com ela, já que não tenho outra alternativa. Gostaria muito de poder conversar com outras pessoas que tem esta mesma deficiencia e partilhar sobre a mesma, se puder me indicar o meu email é este lucia.gisele@hotmail.com. Parabens pela sua iniciativa.
    Um forte abraço!

  9. Laís Cristina Says:

    Oi, bom eu tenho diabetes TIPO 1 desde os 14 anos, agora tenho 18. Qdo descobri essa “doença”, não me aceitava, não gostava, queria comer doces, era horrivel para mim saber que tiha que me picar várias vezes no mesmo dia.
    Não queria que ninguem soube -se, pois tinha medo, da reação das pessoas.
    Agora 4 anos depois, estou fazendo Faculdade de Enfermagem,boa parte desta desição, foi tomada pelo fato de eu ter diabetes, saber que posso estar ajudando outras pessoas que como eu, tem Diabetes.
    e mostrar -lhes que somos exatamente iguais as outras pessoas.

    Abraços.

  10. Gilson Dias Neves Says:

    Olá Lucia Bom dia com a *Paz do Nosso Senhor Jesus Cristo* Parabéns mesmo!Pela sua iniciativa de conversar com as outras pessoas , isto é muito importante, pois se trata de calor humano. Olha eu não tenho esta deficiencia ou qualquer outra com meio século de vida. Li todos os relatos nesta página (Nós os parentes) Minha espôsa é enfermeira e sabe muito bem como lidar com as pessoas que possuem esta enfermidade nos plantões do pronto-socorro do hospital que trabalha. Somos Cristãos adventistas do sétimo dia. Através do Espírito Santo, conheci um Ministério nesta Igreja que se chama *Vida e Saúde* ( Casa publicadora Brasileira ) As orientações e métodos de tratar o organismo e o físico tem a provação de *Jesus* Porque é o Doutor dos Doutores. Não quero que entendo que estou fazendo uma propaganda, com algum fim financeiro ou benefício próprio. Procure esta Igreja e então saberá porque estou te escrevendo tudo isto. Se teu coração se alegrar com muito calor… *Jesus Cristo* estárá operando em ti com certeza a plenitude da sua Soberania e Mejestade Celestial. Sendo assim! Compreenderás a tua atual condição espritual e humana. O Senhor é contigo e dono de sua vida. Tú crês? Um forte abraço. *Êle ti ama muito*

  11. Gilson Dias Neves Says:

    Minha querida Adelaide Rodrigues! Sei que: *Como mãe* dedicada que és, e por ter muito amor a sua filinha, certamente que não gostaria que tivesse surgido este tipo de enfermidade no seu organismo durante a sua adolescência. Mas… por quais razões não sabemos quando e porque as coisas se manifestam derrepente para uns e não para outros. Te afirmo que: *O Senhor* sabe tudo e conhece muito bem a sua filinha, quando ainda estava no seu ventre antes de nascer, ela veio para este mundo pequenininha e inocente, seus olhos abriram e enchergaram a luz deste mundo. Tornou-se uma adolescênte, completou 25 anos e foi agraciada com filinho que completou hoje 2 meses. OHH! Glória. Lindo e saudavél seu netinho! Digo pois que muitos (as) quizeram e não puderam ter este privilégio. Compreêndo este pesar no momento, porque quer o melhor para todos, saúde e bem estar pra tua família. Tem uma alma caridosa, e como voce mesmo disse : a sua filha é consciênte e cuidadosa, isto é maravilhosa porque ama a vida para poder cuidar da sua netinha não é mesmo? Afirmo que: o *Senhor Jesus* vai cuidar dela todos os dias e com certeza a sua maior alegria se completará quando Êle fôr o seu *único Deus Soberano e Salvador* Aleluia *Paz pra todos do seu lar* Gilson

  12. Gilson Dias Neves Says:

    Uma boa tarde à todos que até aqui publicaram os seus comentários! Gostaria de relatar neste conceituado Blog da S.B.D (arquivo comunidade - debate aberto ) O meu depoimento, sôbre a minha mãe, portadora do diabetes tipo-l Hoje completa quaze três anos que foi feita uma cirúrgia de amputação do seu m.i.d ( mêmbro inf direito ) E tudo começou pelo dedinho menor. Bateu, inflamou e logo desencadeou uma infecção inesperada. Fomos ao Hospital Cruz Azul, e foi diagnosticado diabates tipo-1. Ela não sabia e não compreêndeu seus sintomas por não ter conhecimento do assunto e tão pouco os seus sintomas, porque na verdade nunca se preocupou com a sua saúde em algumas fases de sua vida! Hoje ela tem 68 anos de idade. Naquela ocasião desistiu de viver, achou que era um grande sacrifício. Pois teria que mudar os seus hábitos alimentarares, a sua rotina seria outra agora daqui por diante. Hoje a sua conduta de vida é extrordinária! Depende apenas de duas medicações e sua diéta é feita com alegria, mesmo apoindo-se em uma perna e com a outra numa prótese. Hoje é feliz, tem muito vigor, reconhecimemto, gratidão e guarda no seu coração a bendita volta de *Jesus Cristo* para restaurar todas as coisas, ao diabetico (a) diz: se chamará saúde plena e vigor eterno. Mas enquanto nós estamos aqui com os carinhosos e dedicados cuidados dos médicos (as) para nos orientar e dar tratamentos para o alivio de enfermidades que ainda não existe o conhecimento de curas! Lembre-se… do que está escrito Salmos cap: 37-5 Minha mãe creu e sobreviveu por causa deste *Nome* e entregou o diabetes tipo-l e dois aos seus cuidados * Porque êle mesmo não disse que: neste mundo, não teriamos dificuldades, mas prometeu, que nunca nos abandoaria e que estaria ai pertinho de voce. Amém! Gilson

  13. maria de lurdes Says:

    sou diabetica a 8 anos e com ela veio a depressao no começo foi muito dificil fiquei varias vezes enternada mas estou aqui, tenho dois filhos e um marido que me ama, essas sao a razao do meu viver, tenho 35 anos, estou lutando com muita força, graças a deus. beijos.

  14. Wilson Says:

    Ola, Descobri que sou portador de diabetes tipo 2 a dois anos. Hoje me encontro desempregado e fui reprovado em um exame admicional de uma empresa por este motivo.
    Sou o provedor da minha família .Mesmo tendo um controle da doença estou sofrendo uma descriminação do mercado de trabalho.
    Se já não bastace as dificuldades de se manter com dietas e reorganização de abitos temos que nos manter equilibrados.
    Acredito que já esta na hora serem feitas leis que garantão os direitos dos diabeticos ao trabalho ou a aposentadoria.

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