Sou diabético tipo I há 20 anos, tenho cegueira congênita em ambos os olhos. Quando da descoberta de que tinha diabetes, passei a tomar insulina, utilizando-me de seringas para realizar as aplicações. Fato este, que tornava-me bastante dependente de outras pessoas que pudessem fazer essas aplicações. Visto que as seringas, não apresentam nenhuma maneira para que uma pessoa cega identifique qual a dosagem de insulina que está sendo colocada.
Este problema foi superado quando passei a usar a insulina nas canetas. Pois, a caneta já vem com a insulina em seu interior e, quando vamos preparar a dosagem a ser aplicada, ela emite um barulho que faz com que identifiquemos que a cada som emitido, é uma unidade que está sendo colocada.
Isto, hoje, permite que eu possa desenvolver minhas atividades do dia-a-dia, como: trabalhar, estudar, viajar etc; sem o transtorno de sempre procurar alguém para realizar a aplicação de insulina.
Apresento esse relato, pois se por um lado não mais enfrento problemas quanto a aplicação de insulina, por outro lado, não posso dizer o mesmo no que se refere à realização de exames para verificação da taxa de glicose.
Uso o aparelho da Accu-Chek (Active), também já utilizei aparelhos de outras marcas, e até hoje não encontrei nenhum que me permita realizar meus exames sozinho.
Vivemos em um tempo de acelerada evolução tecnológica. Inclusive, em relação a criação e desenvolvimento de aplicativos (softwares), que têm melhorado consideravelmente a vida dos cegos.
Como exemplo, podemos citar: softwares leitores de telas para computadores e celulares, aplicativos esses complexos e importantíssimos. Apresento tais exemplos que foram criados e continuam sendo desenvolvidos, para mostrar a quem de direito, que não seria muito difícil tornar nossos aparelhos de medir a taxa de glicose, acessíveis para as pessoas cegas.
Se não vejamos. Para que uma pessoa cega consiga realizar um exame para verificação da sua taxa de glicose sem depender de ninguém, bastaria o aparelho emitir algum aviso sonoro quando for o momento de colocar a fita no local, emitir um outro aviso confirmando que isso foi feito corretamente e uma maneira de transmitir o resultado do exame que poderia ser através de bipes diferenciados para identificar as centenas, dezenas e unidades.
Essa é apenas uma das maneiras que poderia ser implantada. Claro que com o amadurecimento da idéia, podem surgir outras inúmeras alternativas para permitir o uso de forma independente desses aparelhos por parte das pessoas cegas.
Sinto, que isso é algo urgente. Pois, a medida que tomo a liberdade de fazer esse relato, temos no Brasil um número considerável de deficientes visuais que são diabéticos. Até porque, o diabetes, é uma das doenças que mais causa cegueira.
Portanto, sugiro que seja levado em conta o que foi abordado neste relato, para que muito em breve as pessoas cegas disponham da mesma facilidade que têm para aplicar insulina quando fazem uso da caneta, na realização de exames para verificação da taxa de glicose.
Veja a reportagem sobre Rogério Nunes, na afiliada da Rede Globo, em Campina Grande (PB)
Tags: complicação crônica, deficiência visual, rogério nunes
março 23rd, 2009 at 15:55
Brilhante a atitude de Rogério Nunes. A busca para obter melhoras na sua vida parece pautar sua labuta. A tradução de seu relato é a consequencia de que ainda não temos o melhor e, que este melhor, pode ser acessivel apenas com a boa vontade dos que fazem o desenho da tecnologia em Diabetes.
Parabéns pela sua luta para tornar sua vida mais feliz.
março 28th, 2009 at 11:55
Muito bom o esclarecimento!
O que precisa ser feito é maior divulgação dos métodos de tratamento e onde existem para o Diabético que ja tem lesões, isso e muito pouco divulgado, pois só comentam os problemas!
março 31st, 2009 at 01:43
Rogério vc é um lutador de verdade.
Sou val! fumante,alcoolátra e insulinada.
Tento me livrar desses vícios mas não consigo. Moro numa cidade pequena, se eu for procurar um AAA vou ser discriminada, ninquém sabe o guanto eu sofro com isso, sinto muita fraqueza. Sei q tô morrendo um pouco a cada dia. Faço as coisas curriqueiras do dia empurrada, sem vontade de comer,me cuidar, conversar….nada
abril 26th, 2009 at 14:39
Parabens pelo seu espirito de luta e superação, pessoas como você nos anima a ir em frente.Sou de São José dos Campos, diabética insulinodependente a 3 meses diagnosticada, estou aprendendo a conviver com a diabetes, mas levo a vida com alegria apesar de não ser nada facil, eu sou muito agradecida de hoje existir medicamentos que amenizem o nosso caso, já que ainda não nos é acessivel a cura.
Parabéns! Um forte abraço!
Lucia Gisele
maio 6th, 2009 at 21:13
Rogério parabens por vc fazer a diferença, tenho diabetes a nove anos sou insulinodependente, a ainda uma cura em Jesus. que Deus te abençoe! vc é mais q vencedor!
maio 24th, 2009 at 00:28
Esse é meu amigo Rogério.
Sempre dando uma ótima ideia e excelente exemplo de vida!