Artigos para fevereiro 18th, 2009

Carnaval Sem Estresse

quarta-feira, fevereiro 18th, 2009

samba-mulher2

Carnaval é sinônimo de férias, alegria e diversão. Como passar dias agradáveis sem se estressar? É mais fácil do que parece e se você que tem diabetes, basta procurar seguir algumas dicas.

Antes de viajar, procure fazer uma lista de tudo o que vai precisar e que é indispensável para o seu autocuidado, como por exemplo:

  • glicosímetro e fitas para a realização dos testes de glicemia capilar (“no dedo”);
  • dispositivo para puncionar o dedo e lancetas;
  • comprimidos que esteja usando devidamente identificados (para tratar o diabetes, hipertensão, colesterol, etc);
  • insulina (devidamente acondicionada em estojo térmico ou isopor para conservá-la melhor; nunca colocar gelo seco, pois há risco de congelar a insulina que perde a seu potencial de diminuir a glicemia);
  • seringas ou caneta de aplicação de insulina;
  • frasco pequeno com açúcar, tubos com glicose líquida ou balas que dissolvam rapidamente na boca (para tratar qualquer episódio de hipoglicemia);
  • cartão de identificação do diabético (evite sair sem uma identificação de que é portador de diabetes e quem deve ser contactado caso seja necessário).

Procure seguir os horários das refeições ou se alimentar a cada 3/4 horas, pois isto evitará possíveis hipoglicemias, principalmente se você estiver “pulando carnaval “ ou se estiver participando de atividades recreativas e desportivas.

Leve garrafas de água e alimentos de fácil digestão (frutas, sanduíches naturais feitos em casa, sem maionese) caso pretenda fazer viagens longas.

Use roupas leves e evite permanecer no sol após as 10:00 horas. Não esqueça de usar, sempre, um protetor solar de marca conhecida e não esqueça de reaplicá-lo cada vez que cair na água do mar ou piscina.

Caso a glicemia esteja maior ou igual a 250mg/dl, não faça atividade física neste dia e aumente a ingestão de água e líquidos que não aumentem a glicose no sangue. Se fizer uso de insulina, aplique a de ação ultra-rápida ou rápida (regular) conforme o esquema prescrito pelo seu médico.

Procure usar sapatos confortáveis (de preferência do tipo tênis, que não estejam apertados) para “pular” ou dançar no carnaval. Os saltos altos, calçados do tipo “anabela”, plataformas e completamente chapados no chão não devem ser usados, pois podem criar bolhas ou calos. Isso pode siginificar problemas mais sérios, principalmente se a glicemia não estiver bem controlada.

Lembre-se: você ainda está de férias e precisa relaxar! Cortar grama, andar na praia de bicicleta ou à pé, fazer caminhadas ecológicas, nadar, jogar volei, tênis, frescobol, ou futebol com os amigos fará muito bem para a sua saúde física e mental! Caso você ainda não pratique nenhum esporte ou atividade física pode ser um bom momento para começar.  Os horários da manhã (cedo) e final da tarde são os mais indicados neste calor. Não esqueça também de descançar (quem sabe numa rede?!) embaixo de uma grande sombra e beber bastante água fresca!

Dra. Claudia Pieper - 18/02/2009 14:59
Coordenadora do Departamento de Transtornos Alimentares da SBD

Minha Vida com Diabetes - Rogério Nunes

quarta-feira, fevereiro 18th, 2009

Sou diabético tipo I há 20 anos, tenho cegueira congênita em ambos os olhos. Quando da descoberta de que tinha diabetes, passei a tomar insulina, utilizando-me de seringas para realizar as aplicações. Fato este, que tornava-me bastante dependente de outras pessoas que pudessem fazer essas aplicações. Visto que as seringas, não apresentam nenhuma maneira para que uma pessoa cega identifique qual a dosagem de insulina que está sendo colocada.

Este problema foi superado quando passei a usar a insulina nas canetas. Pois, a caneta já vem com a insulina em seu interior e, quando vamos preparar a dosagem a ser aplicada, ela emite um barulho que faz com que identifiquemos que a cada som emitido, é uma unidade que está sendo colocada.

Isto, hoje, permite que eu possa desenvolver minhas atividades do dia-a-dia, como: trabalhar, estudar, viajar etc; sem o transtorno de sempre procurar alguém para realizar a aplicação de insulina.

Apresento esse relato, pois se por um lado não mais enfrento problemas quanto a aplicação de insulina, por outro lado, não posso dizer o mesmo no que se refere à realização de exames para verificação da taxa de glicose.

Uso o aparelho da Accu-Chek (Active), também já utilizei aparelhos de outras marcas, e até hoje não encontrei nenhum que me permita realizar meus exames sozinho.

Vivemos em um tempo de acelerada evolução tecnológica. Inclusive, em relação a criação e desenvolvimento de aplicativos (softwares), que têm melhorado consideravelmente a vida dos cegos.

Como exemplo, podemos citar: softwares leitores de telas para computadores e celulares, aplicativos esses complexos e importantíssimos. Apresento tais exemplos que foram criados e continuam sendo desenvolvidos, para mostrar a quem de direito, que não seria muito difícil tornar nossos aparelhos de medir a taxa de glicose, acessíveis para as pessoas cegas.

Se não vejamos. Para que uma pessoa cega consiga realizar um exame para verificação da sua taxa de glicose sem depender de ninguém, bastaria o aparelho emitir algum aviso sonoro quando for o momento de colocar a fita no local, emitir um outro aviso confirmando que isso foi feito corretamente e uma maneira de transmitir o resultado do exame que poderia ser através de bipes diferenciados para identificar as centenas, dezenas e unidades.

Essa é apenas uma das maneiras que poderia ser implantada. Claro que com o amadurecimento da idéia, podem surgir outras inúmeras alternativas para permitir o uso de forma independente desses aparelhos por parte das pessoas cegas.

Sinto, que isso é algo urgente. Pois, a medida que tomo a liberdade de fazer esse relato, temos no Brasil um número considerável de deficientes visuais que são diabéticos. Até porque, o diabetes, é uma das doenças que mais causa cegueira.

Portanto, sugiro que seja levado em conta o que foi abordado neste relato, para que muito em breve as pessoas cegas disponham da mesma facilidade que têm para aplicar insulina quando fazem uso da caneta, na realização de exames para verificação da taxa de glicose.

Veja a reportagem sobre Rogério Nunes, na afiliada da Rede Globo, em Campina Grande (PB)