Gente que Faz!
quinta-feira, outubro 4th, 2007Por Kétlen Moraes
Meu nome é Kétlen Moraes. Tenho 17 anos e diabetes desde os meus dois anos de idade. Desde então, venho, junto com meus pais, lutando com essa doença, que atinge hoje tantas pessoas jovens como eu. No HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre), encontrei o tratamento que necessitava, lá sempre fui bem tratada, com ótimos médicos, nutricionistas e enfermeiros. Mas no início foi difícil, o diagnóstico deixou meus pais apreensivos. Moro em Porto Alegre e, graças a Deus, hoje conto com o apoio dessas pessoas maravilhosas, e tenho o grande apoio da minha psicóloga Carolina Gross.
Durante um bom tempo, tive o diabetes descompensado, muitas hipoglicemias e convulsões, mas que, no final, como todos nós sabemos, acabam em hiperglicemias. Esta era a minha maior dificuldade, mas vale lembrar também, que a dificuldade do diabético de “ganhar” seu tratamento pelo governo é vergonhosa.
A piedade das pessoas me incomodou durante muito tempo, hoje eu consigo lidar muito bem com isso e me ajudou a crescer. Nunca sofri preconceito, apesar das pessoas sentirem pena. Encontrar a ARAD (Associação Rio-grandense de Apoio ao Diabético) está sendo muito importante na minha vida. Sempre tive muita vontade de ajudar os portadores de diabetes, afinal, eles passam pelo que eu passo, mas quando fui à minha primeira reunião, não só ajudei meus amigos com minhas informações, como também fui ajudada por eles. Lá nós trocamos opiniões, idéias e experiências de vida, afinal, todos nós sabemos o que um jovem diabético passa. Como ficam as festas, namoro, como lidamos com essas situações? As dúvidas são muitas.
Conheci a ARAD por meio de uma comunidade no orkut, “ARAD PORTO ALEGRE”, criada pela Marlene Rieth, 42 anos, diabética tipo 2, adquirida pós-gestacional. Na comunidade, comecei a me comunicar com a nossa amiga voluntária, Marlene. Lá, conheci também a Paty, Patrícia Caporale, hoje com 28 anos diabética tipo1, desde os 15 anos, e bulímica, mas graças a Deus, hoje, está em tratamento. Hipotireoidismo, colesterol alto e catarata em um dos olhos, Paty trabalha, estuda, e vive feliz com seu tratamento, tirando, claro, as muitas dificuldade que temos em conseguir do Estado as insulinas que necessitamos.
Thiago Carvalho, 18 anos, diabético tipo 1, descoberto há uns quatro anos, achou no esporte a melhor maneira de manter a sua glicemia. Thi, como nós o chamamos, faz triatlon, nada, corre e anda de bike. É um garoto feliz, vai a festas e namora.
Rodrigo Pinto, professor Rodrigo, descobriu o diabetes tipo 1 com oito anos. Teve poucos derrames capilares no olho, nada que afetasse sua visão, mas o pior são as hipoglicemias. Hoje, com 25 anos, tem uma vida controlada, namora, trabalha e é feliz. A diferença entre ele e uma pessoa não-diabética é o fato de ter que tomar insulina e não comer doces. Esses são os “anjos” da ARAD Porto Alegre.
Junto a nós há também o “anjo” Felipe Campos, de Goytacazes, Rio de Janeiro. Uniu-se a nós na comunidade. Ficou arrasado e apavorado com o diagnóstico recente, estava sem enxergar, mas demos apoio e atualmente ele nos ajuda como anjo voluntário.
Não poderia deixar de falar aqui na Rosana, voluntária também, mas da ARAD de Novo Hamburgo. Ela faz conosco o mesmo trabalho. A Rosana manda o nome dos jovens para Mar e ela manda para nós. Localizamos o perfil de cada um no Orkut e damos uma palavrinha de carinho para cada um deles. Todos são pessoas maravilhosas, juntos estamos ajudando outros jovens a terem a certeza que podem, mesmo com diabetes, ter uma vida feliz. Foi a Marlene que me levou até a ARAD, assim como os meus amigos voluntários, “anjos”, como ela carinhosamente nos chama.
Lá nos conhecemos, pois só nos falávamos na comunidade. Foi um dia muito feliz para todos.
Se todos tivessem como fazer parte de uma associação como a ARAD, tenho certeza que iriam aceitar seu diabetes com muito mais facilidade. Que bom que existem pessoas e associações dispostas a ajudarem umas as outras.
Temos limitações, mas a maior dificuldade é conseguir o apoio do Estado para nos fornecer às insulinas, por isso é tão importante o “Dia Mundial do Diabetes”.
Quem sabe as autoridades tomam alguma iniciativa e se conscientizam a nos ajudar juntamente com todos que necessitam de um tratamento digno.
Não precisamos de compaixão, mas sim de medicamentos. INSULINAS E FITAS, POR FAVOR!