Algumas Ressalvas

Por Paula Camila Rodrigues 

Ao ver a matéria do Jornal Nacional, fiquei bastante preocupada com a repercussão que isso poderia causar entre a “comunidade de diabetes”, principalmente entre os pacientes e suas famílias.

A intenção da reportagem foi muito boa: incentivar os brasileiros a doarem órgãos e verem o bem que fazem com tal ato. No entanto, a forma como foi exposto o diabetes me deixou um tanto apreensiva.

Primeiramente, foi a afirmação de que o diabetes da Fabiana “avançou”. Na verdade, o que deve ter acontecido com ela foi “dificuldade em controlar as taxas de glicemia”. Diabetes não é doença degenerativa. Realmente o tratamento não é fácil, ainda mais quando isso acontece na infância ou adolescência. Há muitos fatores comportamentais e hormonais que podem dificultar esse controle. Além disso, o tratamento de diabetes é muito caro e é difícil receber os insumos pelo SUS, apesar de ser um direito nosso.

Outro trecho que, na minha opinião, poderia ser colocado de forma diferente é “teve uma infância de privações”. Aplicar insulina e fazer glicemia capilar realmente não são tarefas prazerosas. No entanto, creio que se a pessoa aceitar sua condição, isso passa a ser parte de sua rotina, como tomar banho e escovar os dentes. A dieta da pessoa com diabetes é a que toda a pessoa que quer se manter saudável deveria fazer. Além disso podemos sair à noite, viajar com amigos, namorar, estudar, etc. Não creio que sejam necessárias privações, mas sim adaptações.

Sei que aceitar o diabetes não é fácil para todos, tampouco controlar a glicemia. Por isso, é necessário tomar cuidado com a maneira como se fala do diabetes, uma vez que é uma doença cercada de mitos e falsas idéias. E, realmente, quem não controlar as taxas de glicemia, está sujeito às complicações do diabetes.

Para finalizar, fico muito feliz que o transplante tenha devolvido para a Fabiana a esperança e a vontade de viver!

 

3 respostas to “Algumas Ressalvas”

  1. Ana Cassia Says:

    Boa noite!
    Na minha opinião acho que toda a reportagem repercutiu e muito bem todas as doenças, as suas complicaçãos, e caso “haja” a necessidade de ir para um transplante. Entendo a opinião, mas foi exposto que nos dias de hoje realmente é muito facil ou menos dolorido e até diria prazeroso de se adaptar e também de se controlar a glicemia. Mas não podemos esquecer que isso a 30/35 anos atrás era uma coisa humanamente impossivel, fui diabetica por 30 anos, e me lembro ( e muito bem ) até hoje das seringas de vidro e das agulhas de ferro.. das glico-fitas, etc, etc, etc… ai aquelas agulhas eram um terror… Concordo que nos dias de hoje isso já seja coisa do passado e para nós diabéticos antigos que não tinhamos isso? E ter a oportunidade de “ter uma qualidade de vida” através do transplante não é dar uma falsa impressão para os diabéticos, mas sim alertar pois se chegamos a um transplante, temos complicações sérias, e ajudamos outros diabéticos a entenderem de fato toda e qualquer complicação do diabetes.
    Ana Cássia

  2. Paula Camila Rodrigues Says:

    Oi, Ana Cássia, tudo bom?

    A minha opinião não foi com relação ao transplante de pâncreas, mas sim com relação a como a reportagem retratou a vida das pessoas com diabetes. Não é vida de privações, mas sim algo que tem tratamento. Há como abordar o assunto sem retratar a doença como algo devastador.

    Não questionei em momento algum o transplante, tanto que encerro o texto com “Para finalizar, fico muito feliz que o transplante tenha devolvido para a Fabiana a esperança e a vontade de viver!
    “.

    Um abraço,

    Paula

  3. Erica Says:

    Olá!
    Tenho um irmão de 9 anos que desde os 7 precisa aplicar insulina duas vezes ao dia. Por mais que se diga que o controle da diabetes é uma coisa fácil como que para uma pessoa que deseja ter uma vida saudável, tenho que discordar, meu irmão tem que se privar de tudo que uma criança mais gosta!
    Não pode comer uma fruta a mais, pois sabe que sua taxa de glicemia pode subir, é uma criança consciente e sabe da necessidade do controle, agora mostrar p/ uma criança que ela não pode comer um doce um chupar uma bala, ou pior não pode comer uma banana a mais do que é permitido diariamente é muito difícil.
    Sei que no caso dele o transplante não é possivel, mas vermos pessoas que de uma certa forma hoje podem gozar de alguns prazeres que antes lhe eram proibidos, nos dá esperança…

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