Algumas Ressalvas
terça-feira, setembro 18th, 2007Por Paula Camila RodriguesÂ
Ao ver a matéria do Jornal Nacional, fiquei bastante preocupada com a repercussão que isso poderia causar entre a “comunidade de diabetes”, principalmente entre os pacientes e suas famílias.
A intenção da reportagem foi muito boa: incentivar os brasileiros a doarem órgãos e verem o bem que fazem com tal ato. No entanto, a forma como foi exposto o diabetes me deixou um tanto apreensiva.
Primeiramente, foi a afirmação de que o diabetes da Fabiana “avançou”. Na verdade, o que deve ter acontecido com ela foi “dificuldade em controlar as taxas de glicemia”. Diabetes não é doença degenerativa. Realmente o tratamento não é fácil, ainda mais quando isso acontece na infância ou adolescência. Há muitos fatores comportamentais e hormonais que podem dificultar esse controle. Além disso, o tratamento de diabetes é muito caro e é difícil receber os insumos pelo SUS, apesar de ser um direito nosso.
Outro trecho que, na minha opinião, poderia ser colocado de forma diferente é “teve uma infância de privações”. Aplicar insulina e fazer glicemia capilar realmente não são tarefas prazerosas. No entanto, creio que se a pessoa aceitar sua condição, isso passa a ser parte de sua rotina, como tomar banho e escovar os dentes. A dieta da pessoa com diabetes é a que toda a pessoa que quer se manter saudável deveria fazer. Além disso podemos sair à noite, viajar com amigos, namorar, estudar, etc. Não creio que sejam necessárias privações, mas sim adaptações.
Sei que aceitar o diabetes não é fácil para todos, tampouco controlar a glicemia. Por isso, é necessário tomar cuidado com a maneira como se fala do diabetes, uma vez que é uma doença cercada de mitos e falsas idéias. E, realmente, quem não controlar as taxas de glicemia, está sujeito às complicações do diabetes.
Para finalizar, fico muito feliz que o transplante tenha devolvido para a Fabiana a esperança e a vontade de viver!