Artigos para setembro, 2007

O Diabetes Como Ele é em Peça Teatral

quarta-feira, setembro 26th, 2007

Divulgação

Por Elis Galvão

Na última quinta-feira saí da redação, peguei o metrô e fui direto para o Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea. Lá está em cartaz a peça Meu Filho é um Doce, que, nas quintas, começa sempre às 17h. Sua estréia aconteceu no início de setembro, mas a temporada vai até 01 de novembro. A apresentação mescla comédia e drama para tratar de um tema sério: o diabetes. Assisti-la, além de ser enriquecedor, torna o meu trabalho de jornalista mais prazeroso. Uma das formas mais lúdicas de obter informações e discutir um assunto complexo é, sem dúvida, por meio de uma expressão artística. Dessa vez, é o teatro que busca desmistificar o diabetes.

O casal, Bia (Cláudia Paiva) e Haroldo (Antônio Fragoso), descobre que o filho, Tomé, de apenas 2 anos tem diabetes tipo 1. Eles se deparam com o fato porque o garoto entra em coma. É a partir daí que a história se desenrola. Acompanhamos, nos primeiros minutos, a tensão dos dois diante da descoberta. A notícia deixa o casal desesperado. A relação entra em crise e eles têm que buscar a melhor forma de se adaptar a nova realidade. No início, se revoltam, ficam tristes e se sentem culpados. Algumas coisas irão mudar não só para o filhinho, que começa a descobrir o mundo, mas também para o casal.

Os dilemas e as questões que surgem no dia-a-dia deixam Bia e Haroldo em situações dramáticas e, por vezes, cômicas. Quando eles passam a encarar com mais leveza a situação do filho – o grande desafio - conseguem ter mais harmonia na vida a dois e reconhecem que Tomé é igual a qualquer outra criança, embora precise de mais cuidados para manter o diabetes controlado.

O público se comove e não economizava risos nas situações cômicas apresentadas na peça. Cada ator, com exceção do casal, interpreta vários papéis. Um dos momentos mais marcantes é quando Bia e Haroldo participam de uma terapia de grupo e conhecem outras pessoas que lidam com o diabetes.

A autora e diretora da peça, Cláudia Valli, se inspirou na sua própria história com o seu filho, que tem diabetes, para escrever a peça. O casal se alterna no palco, ora narrando a história, ora vivendo as situações que fazem parte do cotidiano de pais que têm filhos na mesma situação.

Há mais momentos bacanas na peça. Quando surge a personagem da professora, que tem medo de sangue, e pergunta aos pais de Tomé se ela terá que usar o lancetador nele. Bia explica que sim e, além disso, a professora não deve deixar Tomé abusar dos alimentos na hora do lanche. Nesse instante, vemos a importância do diálogo entre os pais e a escola.

Outro aspecto que chama atenção é o bom gosto do cenário. Embora os tons de branco predominem nos objetos de cena, são projetadas imagens belas e coloridas nos tecidos dispostos no fundo do palco. A utilização de recursos tecnológicos, a linguagem e a forma como os personagens apresentam as situações deixam a peça leve, colorida e atual. No final, as pessoas querem interagir com os atores, conversar com a diretora sobre o assunto, contar uma história.

Duas senhoras, Maria Clara e Joana Avelar, procuraram Claudia Valli para parabenizá-la pelo trabalho. Joana Avelar disse que tem uma sobrinha com diabetes que tem dificuldades de manter o controle do nível de glicose no sangue. “Irei trazê-la para ver a peça, quem sabe ela não se conscientiza depois de ver a história dos pais de Tomé”, comentou sorrindo.

Já Maria Clara não tem diabetes, mas alguns dos seus amigos têm. “Eu não tinha a menor idéia de como era o dia-a-dia deles. Agora eu não fico mais zangada quando os convido para jantar na minha casa e eles dizem que não podem provar todos os pratos que sirvo”, acrescentou.

Não precisa ter diabetes para ir assistir a peça. Como Maria Clara, possivelmente, cada um de nós tem amigos ou familiares que têm uma alimentação com restrições, precisa manter a regularidade dos exercícios físicos, tomar insulina e controlar a glicose. Diante disso, vale a pena ir ao teatro para saber um pouco mais sobre esse universo e descobri que os doces não são os vilões da história. Veja Meu Filho é um Doce e, nas quartas-feiras, após a apresentação, tire dúvidas nas palestras com os profissionais de saúde que entendem do assunto e estão lá pra conversar com o público.

Algumas Ressalvas

terça-feira, setembro 18th, 2007

Por Paula Camila Rodrigues 

Ao ver a matéria do Jornal Nacional, fiquei bastante preocupada com a repercussão que isso poderia causar entre a “comunidade de diabetes”, principalmente entre os pacientes e suas famílias.

A intenção da reportagem foi muito boa: incentivar os brasileiros a doarem órgãos e verem o bem que fazem com tal ato. No entanto, a forma como foi exposto o diabetes me deixou um tanto apreensiva.

Primeiramente, foi a afirmação de que o diabetes da Fabiana “avançou”. Na verdade, o que deve ter acontecido com ela foi “dificuldade em controlar as taxas de glicemia”. Diabetes não é doença degenerativa. Realmente o tratamento não é fácil, ainda mais quando isso acontece na infância ou adolescência. Há muitos fatores comportamentais e hormonais que podem dificultar esse controle. Além disso, o tratamento de diabetes é muito caro e é difícil receber os insumos pelo SUS, apesar de ser um direito nosso.

Outro trecho que, na minha opinião, poderia ser colocado de forma diferente é “teve uma infância de privações”. Aplicar insulina e fazer glicemia capilar realmente não são tarefas prazerosas. No entanto, creio que se a pessoa aceitar sua condição, isso passa a ser parte de sua rotina, como tomar banho e escovar os dentes. A dieta da pessoa com diabetes é a que toda a pessoa que quer se manter saudável deveria fazer. Além disso podemos sair à noite, viajar com amigos, namorar, estudar, etc. Não creio que sejam necessárias privações, mas sim adaptações.

Sei que aceitar o diabetes não é fácil para todos, tampouco controlar a glicemia. Por isso, é necessário tomar cuidado com a maneira como se fala do diabetes, uma vez que é uma doença cercada de mitos e falsas idéias. E, realmente, quem não controlar as taxas de glicemia, está sujeito às complicações do diabetes.

Para finalizar, fico muito feliz que o transplante tenha devolvido para a Fabiana a esperança e a vontade de viver!

Clima de Apreensão

terça-feira, setembro 18th, 2007

Por Cristina Dissat

Muitas pessoas devem ter assistido ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (dia 17 de setembro). Uma das reportagens abordou o transplante de órgãos, que faz parte de uma série sobre o tema. Até aí foi uma ótima idéia para motivar as doações, porém o primeiro caso assustou às pessoas com diabetes e seus familiares. O caso apresentado de transplante duplo de pâncreas e rins aconteceu devido a um caso complicado de diabetes tipo 1, mas isso não representa a grande maioria dos casos.

A redação do site está contactando alguns dos especialistas na área para esclarecer melhor a questão para o público. Uma das repórteres do site, Paula Camila, tem diabetes tipo 1 e ficou bastante preocupada com a forma que a abordagem foi feita. Ela está redigindo um texto sobre a visão dela sobre o problema, que será publicada aqui no blog ainda hoje.

E você, o que achou da matéria? Se não assistiu, é possível rever no site da Globo.com, mas só para assinantes. Para ler a transcrição da matéria não precisa ser assinante.

Reunião de Pauta

terça-feira, setembro 4th, 2007

Toda a semana, a redação do site da SBD faz uma reunião de pauta para definir as reportagens que serão apuradas durante a semana. A partir de agora, o blog da SBD começará a pedir sugestões sobre as matérias que são produzidas pela redação do site da SBD.

Você pode sugerir e escolher o que gostaria de ler no site. Observamos que uma das grandes dúvidas enviadas pelos internautas é sobre hipoglicemia.

Este seria um bom assunto para ser destacado?