Educação: Um direito de Todos
quinta-feira, outubro 26th, 2006Dra. Claudia Pieper*
Educar, palavra oriunda do latim –”educare” – que significa “guiar, conduzir”. Como ensinar que educação é uma das ferramentas mais importantes no tratamento do diabetes e que se constitui num direito de todos?
Como fazer para que o próprio pessoa com diabetes se conscientize que é necessário aprender mais para controlar melhor a glicemia e viver bem com a própria condição? Como “conduzi-lo” neste mundo novo de informações?
O mundo, tal como o conhecemos, com todos os seus relacionamentos e interações, que tomamos como certos, está passando por profunda reavaliação e reconstrução. Por isso, são necessárias a imaginação, a inovação, a visão ampla e a criatividade. Isso exige mentes abertas, prontidão em buscar novas definições, novos tipos de conceitos ,novos modos de ação e melhor qualidade de vida baseados na conscientização de que educar-se é uma forma de transformação do seu eu antigo, num eu novo. É tomar parte na suas próprias mudanças e no seu modo de viver e de conviver com o diabetes.
Podemos para tal, relembrar o relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI que foi coordenada por Jacques Delors.(*)
Neste relatório ficou estabelecido que a educação, ao longo da vida, baseia-se em quatro pilares:
1) aprender a conhecer;
2) aprender a fazer;
3) aprender a conviver;
4) aprender a ser.
Trazendo estes pilares para os objetivos da educação em diabetes :
- Aprender a conhecer: respeitar, mas combinar a cultura geral de cada indivíduo, ajudando-o a aprender mais em profundidade sobre o diabetes;( noções gerais/tipos de diabetes/complicações agudas e crônicas/ dieta/exercício físico/gestação) ; isto também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida;
- Aprender a fazer: adquirir, competências (como por exemplo: aprender a fazer os testes de glicemia capilar e o porque da freqüência diária / aplicar insulina/ contar carboidratos ) que tornem o diabético apto a enfrentar numerosas situações e a tornar-se mais independente sendo participante do seu tratamento;
- Aprender a conviver = desenvolver a compreensão e aceitação do diabetes, mas ter a percepção das interdependências ; da necessidade de compartilhar com o outro - familiar/amigo/profissional da equipe multidisciplinar - as dúvidas, os acertos e os ganhos com o aprendizado em relação ao diabetes;
- Aprender a ser = desenvolver melhor a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal; não negligenciar suas potencialidades.
Educação é um direito de toda pessoa com diabetes e acreditamos que faz parte da Campanha Mundial de Diabetes: Unidos pelo Diabetes: Cuidado para todos!
* Dra. Claudia Pieper, coordenadora do Departamento de Transtornos Alimentares da SBD; título de educadora em diabetes pela International Diabetes Federation; criadora e editora científica do site Tio Julião (www.tiojuliao.com.br ).
(*) Educação: Um Tesouro a Descobrir (UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999)
Hoje - 18 de outubro - é Dia do Médico. Você, com certeza, deve ter visto em outdoors ou em anúncios em veículos de comunicação a menção à data. Convivemos com eles diariamente. Nós porque trabalhamos na área de jornalismo científico e vocês por estarem ligados de alguma forma ao diabetes (pacientes, familiares, amigos, etc).