Posicionamento da SBD sobre Novo Método Referencial Para o Teste de A1c

Por solicitação do Professor Pierre Lefôbvre, presidente da International Diabetes Federation (IDF), a Sociedade Brasileira de Diabetes emitiu um posicionamento oficial da entidade em relação à proposta de adoção de um novo método referencial para o teste de A1C, proposto pela International Federation of Clinical Chemists and Laboratory Medicine (IFCCL). Foi o seguinte o teor da correspondência enviada ao Professor Lefôbvre pelo presidente da SBD, Professor Marcos Tambascia.

Veja o texto completo sobre o início dos debates da A1c na coluna Diabetes Hoje e em mais posts nesse blog.

A SBD aguarda seu comentário.

Caro Professor Hicks,

Em nome da Diretoria da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), manifestamos nossa posição oficial em relação ao novo método de referência para a avaliação dos níveis de A1C, conforme proposto pela IFCCL. Nosso posicionamento pode ser resumido da seguinte maneira:

Queremos manifestar nosso total apoio a novos desenvolvimentos científicos direcionados à melhoria dos cuidados com as pessoas portadoras de diabetes, principalmente quando novas tecnologias laboratoriais podem facilitar a identificação de pacientes com controle glicêmico inadequado permitindo, assim, a implementação de ações terapêuticas corretivas no tempo devido para prevenção das complicações crônicas do diabetes.

Apoiamos a criação do Grupo de Trabalho para a Padronização da A1C (A1C Standardization Working Group), composto por representantes da ADA, EASD e IFCCL, sob a coordenação da IDF. Também manifestamos nosso apoio pela decisão de conduzir um estudo para avaliar a correlação entre os níveis de glicemia média (MBG = Mean Blood Glucose) e de A1C, cujos resultados são esperados para os próximos meses.

Considerando o amplo impacto deste novo método de referência para médicos, indústrias e pacientes em termos de compreensão, aceitação e implementação das novas recomendações, apelamos para que todas as entidades envolvidas neste processo devam estar cientes dos riscos em potencial da implementação prematura desse novo método de referência, sem conhecer os resultados do estudo que está sendo atualmente conduzido.

Além do mérito básico e essencial dessa questão, gostaríamos de expressar nossa preocupação em termos da substituição do método atual de medida da A1C, dos valores de referência e do próprio novo nome para o teste, com base nos seguintes argumentos:
O conceito, a implementação e o reconhecimento da grande importância do teste de A1C atualmente utilizado está longe de ser uma realidade prática disseminada na maioria dos países, mesmo naqueles mais desenvolvidos.

No Brasil e provavelmente na maioria dos outros países do mundo, a grande maioria dos laboratórios de análises clínicas ainda está utilizando métodos laboratoriais que nem mesmo são rastreáveis ao método de referência do DCCT. Nessas condições, qual seria a aceitação prática de um método laboratorial ainda mais novo para a determinação da A1C?

A adoção de novos valores de referência que são 1% a 2% mais baixos do que aqueles atualmente relatados, alterando para menos os pontos de corte para caracterizar resultados normais ou patológicos, poderia induzir os pacientes a acreditar, de forma equivocada, que seus níveis de A1C teriam apresentado melhora.

Em resumo, a SBD é totalmente a favor da implementação de novas tecnologias nas áreas de diagnóstico e terapêutica do diabetes, contanto que as implicações práticas de tal implementação recebam a devida consideração por parte de nossos representantes nas sociedades internacionais de diabetes para evitar os potenciais riscos de efeitos adversos de avanços tecnológicos valiosos para a assistência à saúde.

Atenciosamente,

Professor Marcos Tambascia
Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
São Paulo, Brasil

 

15 respostas to “Posicionamento da SBD sobre Novo Método Referencial Para o Teste de A1c”

  1. Dra. Suely R. dos Santos Says:

    Achei ótima a

    argumentação, que correspondeu às minhas expectativas. Suely R.

    dos Santos, médica endocrinologista, RJ.

  2. Dra. Helena Schmid Says:

    Marcos

    Parabens pela iniciativa, a qual mostra que nosso

    Presidente está representando muito bem todos os

    associados.

    Abraços,
    Helena Schmid

  3. Dr. Arual Augusto Costa Says:

    Prezado Minicucci

    Estas propostas sao a meu

    ver de diferentes efeitos.

    O primeiro sobre a redução de 2% na A1c

    objetiva um melhor controle metabólico, Ate ai tudo bem.

    A segunda

    é mais complexa de decidir. Muitos profissionais nem sabe o que siginifica A1c,

    pelo Brasil afora. Em relação ao Brasil, acho que seria pouco útil.

    Em relação a trabalhos científicos até que seria bom

    porém não necessário. O que está me parecendo ao

    primeiro momento é o mesmo que ocorreu com a unidade mometária aqui

    no Brasil. Muita mudança em pouco tempo.

    Um grande abraço

    amigo

    Arual

  4. Dr. Ivan Ferraz Says:

    Prezado Walter

    Já me pronunciei no e-mail do Marcos.

    Concordo com a sua opinião em relação a conceitos consolidados ,

    ainda mais por tanto tempo e embasados em trabalhos tão considerados como o

    DCCT-EDIC. Por outro lado, não devemos bloquear novos conceitos desde que

    fundamentados. A proposta de um grupo de trabalho, capitaneado pela IDF em

    associação com a s outras entidades mencionadas, me parece a melhor

    opção para discutir assunto tão relevante, e que mudará de

    forma contundente o acompanhamento do controle do diabetes.

    Grande

    abraço, Ivan Ferraz

  5. Dr. Ivan Ferraz Says:

    Prezado Pro Marcos Tambascia

    Concordo inteiramente com a sua

    posição, defendida em nome da SBD. Quaisquer

    modifiçacões relacionadas com a A1c devem ser muito bem analizadas e

    consensuais, já que por muto tempo os valores atuais tem sido utilizados como

    “gold standard”.

    Grande abraço, Ivan Ferraz.

  6. Dra. Sandra Roberta Ferreira Says:

    Estou ciente e completamente de acordo com a

    resposta enviada.

    Sandra R. Ferreira

  7. Dr. Sergio Dib Says:

    Estou de acordo com a resposta.

    Abraços

    Sergio

    Dib

  8. Dr. Pierre Lefebvre Says:

    Many thanks !

    Pierre LEFEBVRE
    President
    International

    Diabetes Federation

  9. Dr. Jean Claude Says:

    Thank you for all your help.

    Jean Claude

  10. Dra. Alcina Vinhaes Says:

    Walter, acho a situação confusa, mas creio que a

    posição da FICC seria melhor.

  11. Andre F. Reis Says:

    Estou em total acordo com a resposta. Parabéns pela

    iniciativa.

  12. Antonio Roberto Maestrello Says:

    Prezados Senhores,
    Sou endocrinologista e não

    pertenço a nenhuma instituição acadêmica. Acho adequado

    que se façam debates sobre quais os melhores parâmetros para se controlar

    o DM e evitar as complicações.
    Sobre qual método seria

    melhor, o ideal seria tentar um acompanhamento de longo prazo comparando os dois

    critérios e sua correlação com as complicações, antes

    que mudássemos para um novo parâmetro, que envolve mudança

    de raciocínio frente aos resultados e nova educação dos

    pacientes.
    Até lá, é minha opinião que devemos

    trabalhar com o que já estamos acostumados e tentar manter os pacientes bem

    controlados, evitando hipo ou hiperglicemias.
    Um abraço a

    todos

  13. Rosilda de Mendonça Vaz Says:

    Estamos acompanhando e concordamos com as

    ponderações do professor Marcos Tambascia.

  14. Rosilda de Mendonça Vaz Says:

    Estamos acompanhando e concordamos com o

    posicionamento do professor Marcos

  15. Bernardo Peniche Says:

    Caro Marcos

    Estou de acordo com a reposta

    apresentada.Permanecerei acompanhando a discussão

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