Equipe de Jornalismo.
A coluna Diabetes Hoje, de responsabilidade do Dr. Reginaldo Albuquerque, coordenador do site da SBD, sempre traz as discussões mais recentes sobre diabetes.
Veja abaixo o tema em destaque esta semana, que deve ser lido na íntegra no site da SBD - Diabetes Hoje.
Vale lembrar que este post está identificado como sendo Debate Científico e os comentários enviados deverão ser de profissionais de saúde.
Discussão sobre A1c
Num curto espaço de tempo, este ano, a American Diabetes Association (ADA), International Diabetes Federation (IDF) e International Federation of Clinical Chemistry (IFCC) voltam a divergir sobre a hemoglobina glicada (A1c).
A primeira já foi relatada nesta coluna e dizia a respeito ao uso do exame como um parâmetro de remuneração médica. A segunda querela, que já estava ocorrendo há mais tempo, ganhou maior repercussão durante o último “ADA Meeting”, realizado em Washington.
O assunto, agora envolve questões metodológicas, relacionadas à dosagem da hemoglobina glicada que, segundo a International Federation of Clinical Chemistry (IFCC), não expressa o valor real desta substância. A mudança implicaria numa redução de até dois pontos percentuais nos atuais valores.
Outra discussão é a dificuldade dos pacientes entenderem a forma percentual de expressão dos resultados (atualmente em percentuais) e que mudanças pequenas nos seus valores podem ter grande importância nos seus tratamentos.
No site da SBD está disponível a carta enviada pela IFCC e IDF. Confira.
novembro 30th, 1999 at 00:00
Caro Reginaldo,
Após analisar
este assunto concordo que a decisão deve ser adiada e que a decisão
só seja tomada após análise criteriosa do custo desta
decisão e das repercussões que poderão ser geradas nos
serviços de patologia clínica e laboratórios em geral.
Marcos Tambascia
novembro 30th, 1999 at 00:00
Li esta matéria e tenho a dizer que meus
pacientes ao longo desses l5 anos dedicados ao controle de Diabetes numa
população de 4 municípios da Baixada Santista, à saber:
Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande estao satisfeitos com a
explicação sobre a A1c e como utilizá-la para o controle do
diabetes, procurando ajustar a dose de seus medicamentos e principalmente o controle
dietético, observando um maior rigor na dieta para diabetes que lhes foi indicada.
Mudar algo que já está enraizado, que vem sendo trabalhado por anos a
fio será mesmo necessário? Isto vem a atender as necessidades dos
pacientes ou de uma indústria cada vez mais sedenta por lucros? Como fica a
nossa posição como médicos? Sugiro uma avaliação
criteriosa da necessidade de mudança e lançar uma pesquisa entre os
diabetólogos para se estabelecer ou não
mudanças.
julho 11th, 2006 at 10:13
Após leitura detalhada de seu e-mail e de
outras publicações sobre o assunto a SBEM Regional Goiás
(Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) concorda com a proposta da
ADA , EASD e IDF de que deve-se adiar a adoção desta nova
metodologia até que o estudo ” referido na reportagem ” fique pronto.
Obrigado pela atenção.
Victor Gervásio SBEM-
Go
julho 11th, 2006 at 10:20
Se é tão fácil complicar, para que simplificar?
Uma
nova visão dos testes de A1c
Dr. Augusto Pimazoni Netto
Editor
Médico- COIDEC Diabetes News
E-mail para contatos:
pimazoni@uol.com.br
A adoção do teste de A1C constituiu-se
num dos principais instrumentos de avaliação do controle glicêmico
de médio em longo prazo, já tendo sido referendado pelos dois estudos
clínicos mais expressivos em diabetes: o DCCT e o UKPDS. Não apenas
isso, mas o teste de A1C tem sido extensivamente utilizado como referência
padrão na grande maioria dos estudos envolvendo aspectos diagnósticos,
prognósticos, clínicos, terapêuticos e econômicos do diabetes.
Pelo menos junto aos especialistas mais bem informados, o conceito do teste de A1C e
seus respectivos valores de referência já estão plenamente
consagrados. Entretanto, o mesmo não pode ser dito em relação
à classe médica como um todo, incluindo os clínicos não
especialistas que têm sob sua responsabilidade a conduta médica da grande
maioria dos diabéticos tipo 2. Muito esforço foi necessário para
disseminar a importância, o conceito e os valores referenciais do teste de A1C,
tanto entre a comunidade médica, como entre a população geral.
Prova disso é o percentual ainda muito baixo de pacientes que realizam o teste de
A1C nas freqüências recomendadas em quase todos os países. Resumindo,
poderíamos dizer que esse importante conceito do teste de A1C, embora
promovido com intensidade por instituições acadêmicas e por
sociedades médicas ainda está em fase de “decolagem”,
restando ainda um longo caminho a percorrer para se tornar efetivamente conhecido e
amplamente utilizado na prática clínica.
Mas, se é tão
fácil complicar, para que simplificar? A International Federation of Clinical
Chemists (IFCC) desenvolveu um novo método de referência para a
avaliação da A1C que, segundo eles, seria mais preciso do que todos os
métodos atuais. Um grupo de trabalho composto pela American Diabetes
Association (ADA) e a European Association for the Study of Diabetes (EASD), sob a
coordenação da International Diabetes Federation (IDF) e com a
participação da IFCC foi instituído e recomendou, em janeiro de
2004, que o método de referência da IFCC deveria tornar-se um
padrão global de referência e que todos os fabricantes de kits reagentes e
equipamentos deveriam adotar o novo método que modificaria a metodologia
bioquímica da avaliação dos níveis de A1C, alterando seus
já consagrados valores de referência e até mesmo mudando a
denominação do teste para “Glicemia Média”
(MBG = Mean Blood Glucose).
A pergunta que se impõe é a
seguinte: qual a vantagem clínica em substituir metodologia, valores de
referência e denominação de um teste já consagrado mas
ainda em fase precoce de evolução e disseminação junto
à maioria da classe médica e do público leigo? Na verdade, o
novo método proposto representaria apenas uma mudança na
“gradação da régua”, sem nenhum impacto
positivo sobre a necessária universalização de um conceito de
fundamental importância médica como a A1C. Haveria alguma vantagem
na troca “de seis por meia dúzia”? As entidades diretamente
relacionadas ao diabetes (ADA, EASD e IDF) reconhecem os riscos da
implementação imediata do novo método, como quer a IFCC,
afirmando que os esforços da comunidade internacional de diabetes para aumentar
a conscientização sobre a doença e para melhorar a
assistência ao paciente diabético seriam bastante prejudicadas pelas
recomendações da IFCC. Então, por que mudar?
Referência 1: “A1c Pode Deixar de Ser Um Marcador do
Controle Glicêmico”. Reginaldo Albuquerque. Site da Sociedade Brasileira
de Diabetes (SBD) – Reportagens Online, Edição nº 16 - 66th
Annual Scientific Session – ADA.
Clique aqui para ter acesso ao artigo de
referência:
http://www.diabetes.org.br/reportagens_online/reponline.php?
mat=1041&ed=
julho 12th, 2006 at 14:28
Gostaria de parabenizá-lo pela brilhante
atuação frente a comunição da SBD.
Minha
opinião é que o BMG é mais fácil para nossos pacientes
entender seu controle metabólico.
julho 13th, 2006 at 13:34
Caro Walter,
concordo que devemos esperar e validar essas
mudanças - desde março -2006, após um esforço de 3
anos conseguimos implantar a A1c pelo método Biorad, no Programa de
Educação e Controle de Diabetes, da Secretaria de Saúde do DF,
cujo investimento foi em torno de R$ 800.000,00 !! Esperamos contemplar um melhor
atendimento aos 45.000 pacientes registrados no PECD aqui em Brasília e todas
as demais regionais de saúde das cidades-satélites.
Imagine o efeito
negativo na relação custo x benefício, após toda a
divulgação da mídia nesse importante avanço para o nosso
sistema de saúde pública!
Um abraço,
Hermelinda
Pedrosa
Assessora Científica - PECD - Brasília, DF
julho 13th, 2006 at 13:35
Oi Walter
Acho que a média das glicemias será
um problema,pois a maioria dos pacientes em hospitais públicos não faz
por problemas econômicos.
Abraços,
Marilia Brito
Gomes
julho 13th, 2006 at 15:18
Acho que não é interessante mudarmos o que está
consagrado e em uso. Nossos pacientes tem sim condições de entender a
A1c desde que disponhamos um pouco de tempo para explicarmos, o que estreita a
relação médico-paciente. O paciente tem que ser valorizado e o
tempo dedicado à explicações é um investimento que
fazemos para o sucesso do tratamento.
julho 14th, 2006 at 18:08
também acho que não é sensato mudar um
método que já é consagrado, e que os pacientes tem, sim,
condições de entender; a menos que surja um método mais preciso,
e que compense o grande investimento a ser feito.
julho 15th, 2006 at 15:34
Caro Walter
Convivemos até recentemente com a
inquestionável validade da A1c como importante marcador do controle
metabólico dos nossos pacientes.Baixar alguns pontos percentuais seria a
solução?Não acredito,diante da grande dificuldade dos nossos
pacientes em entender os resultados quando os mesmos lhes são
apresentados.Diante de tão interessante discussão,só nos resta
aguardar um pouco mais para firmarmos uma opinião.
Um grande
abraço
Bernardo Peniche
julho 15th, 2006 at 18:57
Caros Reginaldo e Walter, parabens pelo
artigo.
Particularmente, nao creio que a HbA1c seja de difícil entendimento
para os pacientes, de modo que não acho fundamental tal mudança. O
exame é consagrado e validado como marcardor de controle glicêmico em
estudos prospectivos metodologicamente bem desenhados (UKPDS, DCCT, etc). Creio
que mais importante do que mudar a HbA1c é tentar padronizar o
método (principalmente no Brasil onde se utiliza varios métodos que
não se equivalem), lembrando que o método de cromatografia liquida de
alta performance (HPLC) é o padrão outro.
Devemos também
ter muito cuidado com o que vai ser liberado para os jornais e revistas leigos, pois o que
conseguimos até agora pode ser perdido se a mensagem de que a HbA1c
não é um exame adequado para avaliar o controle glicêmico chegar
a revistas de circulacao nacional.
Josivan
julho 17th, 2006 at 14:23
Acho a situação confusa, mas creio que a posição
da FICC seria melhor.
Alcina
julho 17th, 2006 at 14:26
Oi Minicucci,
Há uns 15 dias falei com Nairo (responsável
pelo lab central do HC).
Solicitei que ele participasse de uma das nossas
reuniões para falar da HbA1c e BMG, além da avaliação da
nefropatia diabética com a microalbuminúria.
Ele está de
férias e me encaminou duas referências sobre estes temas que ainda
não consegui ler. Ainda não tenho uma idéia formada. Preciso
estudar! Em q posso ajudar? Bjs, Karla.
julho 17th, 2006 at 15:31
Sabendo da importância do
conteúdo abordado. Esta semana, o blog diabetes estará entre as 5
indicações para que nossos leitores e assinantes possam conhecer o seu
conteúdo no Portal Minha Vida.
julho 17th, 2006 at 17:38
Boa Tarde REginaldo! Parabens pela
iniciativa.
Acho que num futuro próximo iremos conviver com essas duas
formas de analisar o controle glicêmico, pois a A1c, mesmo sendo consagrada por
inúmeros estudos, como bem disse o Josivan, tem as suas
limitações, e necessitamos usar todas as ferramentas disponíveis
para o controle do diabetes. Não acho que os dois exames são
excludentes.
abraços.
Sérgio Vencio -
Goiânia
julho 24th, 2006 at 16:18
Caro Reginaldo,
Essa polêmica
metodológica vem se arrastando desde que a IFCC publicou uma metodologia
que seria o “gold standard” para a medida de HBA1c. A meu ver é a velha
questão entre o ótimo, o bom e o possivel. Evidentemente que do ponto
de vista técnico, quanto mais específica uma metodologia, melhor.
Estudos mostram excelente correlação entre o método da IFCC e
os métodos baseados em HPLC calilbrados segundo os critérios da
NGSP, basta diminuir em 2% os valores. O problema é que a maioria das
dosagens de HBA1c feitas no Brasil não é calibrada segundo os valores da
NGSP. Fica a pergunta: deve-se procurar o ótimo ou o possível? Um
pouco de bom senso indica que o adiamento da proposta seria o mais
indicado.
agosto 21st, 2006 at 08:16
Prezados colegas
Creio que o ponto mais
importante desta discussão não é, embora ele também pese,
o método de determinação da HbA1c, já que fora do
Brasil está se falando em dosagem por HPLC e métodos equivalentes,
(vide o consenso da SBD sobre o assunto).
A grande discussão e este o
principal motivo para a International Federation of Clinical Chemists (IFCC) que
desenvolveu um novo método de referência para a avaliação
da A1C, recomendar a sua mudança é o que está “escondido”
quando você obtem um valor de HbA1c. O que eles querem dizer e creio que
todos os que avaliam grande número de valores glicemicos nos pacientes, sejam
fazendo downloads dos mesmos, seja avaliando “o caderno de anotações
glicemicas” é a grande variação que voce pode encontrar nos SD
(standard deviations) obtidos para as mesmas médias glicemicas e A1c
próximas.
Não é incomum vc encontrar pacientes com mesmas
médias glicemicas, e desvios padroes muitos diferentes, o que implica em
variações diárias incomparáveis.
É claro que a
mudança proposta do ponto de vista operacional será um transtorno, e
nós dos paises periféricos, que ainda não conseguimos implantar o
método com o uso do padrão ouro (HPLC) nem nas principais cidades do
pais, seremos os que vamos sofrer mais e que na minha opinião se pudessemos
esperar mais para a mudança teriamos menos problemas.
Porém
não deixa de ser verdade, que um resultado que contemplasse um valor de
referencia A1c menor (em torno de 2% a menos), como o sugerido pela Sociedade
Europeia de Patologistas Clinicos e que levasse em conta além da média
glicemica,os desvios padrões obtidos em cada horário, refleteria melhor o
controles obtidos em cada caso, isto lá é inegável.
Por
último quero dizer que como vcs eu “rezo” para que tal mudança
não ocorra tão cedo, mas creio que nós como País
periférico, não conseguiremos influenciar o resultado final desta
polêmica.
agosto 29th, 2006 at 15:54
O que eu gostaria mesmo de saber é o que o Dr Bernardo Leo
acha de tudo isso.
Walter Minicucci