Métodos e Interpretação Clínica da A1c (Hemoglobina Glicada) Podem Mudar e Causam Novas Divergências Entre a ADA, IDF e IFCC

Equipe de Jornalismo.

A coluna Diabetes Hoje, de responsabilidade do Dr. Reginaldo Albuquerque, coordenador do site da SBD, sempre traz as discussões mais recentes sobre diabetes.

Veja abaixo o tema em destaque esta semana, que deve ser lido na íntegra no site da SBD - Diabetes Hoje.

Vale lembrar que este post está identificado como sendo Debate Científico e os comentários enviados deverão ser de profissionais de saúde.

Discussão sobre A1c

Num curto espaço de tempo, este ano, a American Diabetes Association (ADA), International Diabetes Federation (IDF) e International Federation of Clinical Chemistry (IFCC) voltam a divergir sobre a hemoglobina glicada (A1c).

A primeira já foi relatada nesta coluna e dizia a respeito ao uso do exame como um parâmetro de remuneração médica. A segunda querela, que já estava ocorrendo há mais tempo, ganhou maior repercussão durante o último “ADA Meeting”, realizado em Washington.

O assunto, agora envolve questões metodológicas, relacionadas à dosagem da hemoglobina glicada que, segundo a International Federation of Clinical Chemistry (IFCC), não expressa o valor real desta substância. A mudança implicaria numa redução de até dois pontos percentuais nos atuais valores.

Outra discussão é a dificuldade dos pacientes entenderem a forma percentual de expressão dos resultados (atualmente em percentuais) e que mudanças pequenas nos seus valores podem ter grande importância nos seus tratamentos.

No site da SBD está disponível a carta enviada pela IFCC e IDF. Confira.

 

18 respostas to “Métodos e Interpretação Clínica da A1c (Hemoglobina Glicada) Podem Mudar e Causam Novas Divergências Entre a ADA, IDF e IFCC”

  1. Marcos Tambascia Says:

    Caro Reginaldo,

    Após analisar

    este assunto concordo que a decisão deve ser adiada e que a decisão

    só seja tomada após análise criteriosa do custo desta

    decisão e das repercussões que poderão ser geradas nos

    serviços de patologia clínica e laboratórios em geral.

    Marcos Tambascia

  2. Dr. Eduardo Mokarzel Says:

    Li esta matéria e tenho a dizer que meus

    pacientes ao longo desses l5 anos dedicados ao controle de Diabetes numa

    população de 4 municípios da Baixada Santista, à saber:

    Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande estao satisfeitos com a

    explicação sobre a A1c e como utilizá-la para o controle do

    diabetes, procurando ajustar a dose de seus medicamentos e principalmente o controle

    dietético, observando um maior rigor na dieta para diabetes que lhes foi indicada.

    Mudar algo que já está enraizado, que vem sendo trabalhado por anos a

    fio será mesmo necessário? Isto vem a atender as necessidades dos

    pacientes ou de uma indústria cada vez mais sedenta por lucros? Como fica a

    nossa posição como médicos? Sugiro uma avaliação

    criteriosa da necessidade de mudança e lançar uma pesquisa entre os

    diabetólogos para se estabelecer ou não

    mudanças.

  3. Victor Gervásio Says:

    Após leitura detalhada de seu e-mail e de

    outras publicações sobre o assunto a SBEM Regional Goiás

    (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) concorda com a proposta da

    ADA , EASD e IDF de que deve-se adiar a adoção desta nova

    metodologia até que o estudo ” referido na reportagem ” fique pronto.

    Obrigado pela atenção.

    Victor Gervásio SBEM-

    Go

  4. Dr. Augusto Pimazoni Netto Says:

    Se é tão fácil complicar, para que simplificar?
    Uma

    nova visão dos testes de A1c

    Dr. Augusto Pimazoni Netto
    Editor

    Médico- COIDEC Diabetes News
    E-mail para contatos:

    pimazoni@uol.com.br

    A adoção do teste de A1C constituiu-se

    num dos principais instrumentos de avaliação do controle glicêmico

    de médio em longo prazo, já tendo sido referendado pelos dois estudos

    clínicos mais expressivos em diabetes: o DCCT e o UKPDS. Não apenas

    isso, mas o teste de A1C tem sido extensivamente utilizado como referência

    padrão na grande maioria dos estudos envolvendo aspectos diagnósticos,

    prognósticos, clínicos, terapêuticos e econômicos do diabetes.

    Pelo menos junto aos especialistas mais bem informados, o conceito do teste de A1C e

    seus respectivos valores de referência já estão plenamente

    consagrados. Entretanto, o mesmo não pode ser dito em relação

    à classe médica como um todo, incluindo os clínicos não

    especialistas que têm sob sua responsabilidade a conduta médica da grande

    maioria dos diabéticos tipo 2. Muito esforço foi necessário para

    disseminar a importância, o conceito e os valores referenciais do teste de A1C,

    tanto entre a comunidade médica, como entre a população geral.

    Prova disso é o percentual ainda muito baixo de pacientes que realizam o teste de

    A1C nas freqüências recomendadas em quase todos os países. Resumindo,

    poderíamos dizer que esse importante conceito do teste de A1C, embora

    promovido com intensidade por instituições acadêmicas e por

    sociedades médicas ainda está em fase de “decolagem”,

    restando ainda um longo caminho a percorrer para se tornar efetivamente conhecido e

    amplamente utilizado na prática clínica.

    Mas, se é tão

    fácil complicar, para que simplificar? A International Federation of Clinical

    Chemists (IFCC) desenvolveu um novo método de referência para a

    avaliação da A1C que, segundo eles, seria mais preciso do que todos os

    métodos atuais. Um grupo de trabalho composto pela American Diabetes

    Association (ADA) e a European Association for the Study of Diabetes (EASD), sob a

    coordenação da International Diabetes Federation (IDF) e com a

    participação da IFCC foi instituído e recomendou, em janeiro de

    2004, que o método de referência da IFCC deveria tornar-se um

    padrão global de referência e que todos os fabricantes de kits reagentes e

    equipamentos deveriam adotar o novo método que modificaria a metodologia

    bioquímica da avaliação dos níveis de A1C, alterando seus

    já consagrados valores de referência e até mesmo mudando a

    denominação do teste para “Glicemia Média”

    (MBG = Mean Blood Glucose).

    A pergunta que se impõe é a

    seguinte: qual a vantagem clínica em substituir metodologia, valores de

    referência e denominação de um teste já consagrado mas

    ainda em fase precoce de evolução e disseminação junto

    à maioria da classe médica e do público leigo? Na verdade, o

    novo método proposto representaria apenas uma mudança na

    “gradação da régua”, sem nenhum impacto

    positivo sobre a necessária universalização de um conceito de

    fundamental importância médica como a A1C. Haveria alguma vantagem

    na troca “de seis por meia dúzia”? As entidades diretamente

    relacionadas ao diabetes (ADA, EASD e IDF) reconhecem os riscos da

    implementação imediata do novo método, como quer a IFCC,

    afirmando que os esforços da comunidade internacional de diabetes para aumentar

    a conscientização sobre a doença e para melhorar a

    assistência ao paciente diabético seriam bastante prejudicadas pelas

    recomendações da IFCC. Então, por que mudar?

    Referência 1: “A1c Pode Deixar de Ser Um Marcador do

    Controle Glicêmico”. Reginaldo Albuquerque. Site da Sociedade Brasileira

    de Diabetes (SBD) – Reportagens Online, Edição nº 16 - 66th

    Annual Scientific Session – ADA.

    Clique aqui para ter acesso ao artigo de

    referência:
    http://www.diabetes.org.br/reportagens_online/reponline.php?

    mat=1041&ed=

  5. Dr. Paulo Fernando Meira Says:

    Gostaria de parabenizá-lo pela brilhante

    atuação frente a comunição da SBD.

    Minha

    opinião é que o BMG é mais fácil para nossos pacientes

    entender seu controle metabólico.

  6. Dra. Hermelinda Pedrosa Says:

    Caro Walter,

    concordo que devemos esperar e validar essas

    mudanças - desde março -2006, após um esforço de 3

    anos conseguimos implantar a A1c pelo método Biorad, no Programa de

    Educação e Controle de Diabetes, da Secretaria de Saúde do DF,

    cujo investimento foi em torno de R$ 800.000,00 !! Esperamos contemplar um melhor

    atendimento aos 45.000 pacientes registrados no PECD aqui em Brasília e todas

    as demais regionais de saúde das cidades-satélites.

    Imagine o efeito

    negativo na relação custo x benefício, após toda a

    divulgação da mídia nesse importante avanço para o nosso

    sistema de saúde pública!

    Um abraço,

    Hermelinda

    Pedrosa
    Assessora Científica - PECD - Brasília, DF

  7. Dra. Marilia Brito Gomes Says:

    Oi Walter

    Acho que a média das glicemias será

    um problema,pois a maioria dos pacientes em hospitais públicos não faz

    por problemas econômicos.

    Abraços,

    Marilia Brito

    Gomes

  8. Helena Trindade Camargo Says:

    Acho que não é interessante mudarmos o que está

    consagrado e em uso. Nossos pacientes tem sim condições de entender a

    A1c desde que disponhamos um pouco de tempo para explicarmos, o que estreita a

    relação médico-paciente. O paciente tem que ser valorizado e o

    tempo dedicado à explicações é um investimento que

    fazemos para o sucesso do tratamento.

  9. Paola Ruoppolo Says:

    também acho que não é sensato mudar um

    método que já é consagrado, e que os pacientes tem, sim,

    condições de entender; a menos que surja um método mais preciso,

    e que compense o grande investimento a ser feito.

  10. Bernardo Peniche Says:

    Caro Walter

    Convivemos até recentemente com a

    inquestionável validade da A1c como importante marcador do controle

    metabólico dos nossos pacientes.Baixar alguns pontos percentuais seria a

    solução?Não acredito,diante da grande dificuldade dos nossos

    pacientes em entender os resultados quando os mesmos lhes são

    apresentados.Diante de tão interessante discussão,só nos resta

    aguardar um pouco mais para firmarmos uma opinião.

    Um grande

    abraço

    Bernardo Peniche

  11. Josivan Lima Says:

    Caros Reginaldo e Walter, parabens pelo

    artigo.
    Particularmente, nao creio que a HbA1c seja de difícil entendimento

    para os pacientes, de modo que não acho fundamental tal mudança. O

    exame é consagrado e validado como marcardor de controle glicêmico em

    estudos prospectivos metodologicamente bem desenhados (UKPDS, DCCT, etc). Creio

    que mais importante do que mudar a HbA1c é tentar padronizar o

    método (principalmente no Brasil onde se utiliza varios métodos que

    não se equivalem), lembrando que o método de cromatografia liquida de

    alta performance (HPLC) é o padrão outro.
    Devemos também

    ter muito cuidado com o que vai ser liberado para os jornais e revistas leigos, pois o que

    conseguimos até agora pode ser perdido se a mensagem de que a HbA1c

    não é um exame adequado para avaliar o controle glicêmico chegar

    a revistas de circulacao nacional.
    Josivan

  12. Dr. Alcina Vinhaes Says:

    Acho a situação confusa, mas creio que a posição

    da FICC seria melhor.

    Alcina

  13. Dra. Karla Melo Says:

    Oi Minicucci,
    Há uns 15 dias falei com Nairo (responsável

    pelo lab central do HC).
    Solicitei que ele participasse de uma das nossas

    reuniões para falar da HbA1c e BMG, além da avaliação da

    nefropatia diabética com a microalbuminúria.
    Ele está de

    férias e me encaminou duas referências sobre estes temas que ainda

    não consegui ler. Ainda não tenho uma idéia formada. Preciso

    estudar! Em q posso ajudar? Bjs, Karla.

  14. Andreia Says:

    Sabendo da importância do

    conteúdo abordado. Esta semana, o blog diabetes estará entre as 5

    indicações para que nossos leitores e assinantes possam conhecer o seu

    conteúdo no Portal Minha Vida.

  15. Sérgio Vencio Says:

    Boa Tarde REginaldo! Parabens pela

    iniciativa.
    Acho que num futuro próximo iremos conviver com essas duas

    formas de analisar o controle glicêmico, pois a A1c, mesmo sendo consagrada por

    inúmeros estudos, como bem disse o Josivan, tem as suas

    limitações, e necessitamos usar todas as ferramentas disponíveis

    para o controle do diabetes. Não acho que os dois exames são

    excludentes.
    abraços.
    Sérgio Vencio -

    Goiânia

  16. José Gilberto Henriques Vieira Says:

    Caro Reginaldo,
    Essa polêmica

    metodológica vem se arrastando desde que a IFCC publicou uma metodologia

    que seria o “gold standard” para a medida de HBA1c. A meu ver é a velha

    questão entre o ótimo, o bom e o possivel. Evidentemente que do ponto

    de vista técnico, quanto mais específica uma metodologia, melhor.

    Estudos mostram excelente correlação entre o método da IFCC e

    os métodos baseados em HPLC calilbrados segundo os critérios da

    NGSP, basta diminuir em 2% os valores. O problema é que a maioria das

    dosagens de HBA1c feitas no Brasil não é calibrada segundo os valores da

    NGSP. Fica a pergunta: deve-se procurar o ótimo ou o possível? Um

    pouco de bom senso indica que o adiamento da proposta seria o mais

    indicado.

  17. Walter José Minicucci Says:

    Prezados colegas
    Creio que o ponto mais

    importante desta discussão não é, embora ele também pese,

    o método de determinação da HbA1c, já que fora do

    Brasil está se falando em dosagem por HPLC e métodos equivalentes,

    (vide o consenso da SBD sobre o assunto).
    A grande discussão e este o

    principal motivo para a International Federation of Clinical Chemists (IFCC) que

    desenvolveu um novo método de referência para a avaliação

    da A1C, recomendar a sua mudança é o que está “escondido”

    quando você obtem um valor de HbA1c. O que eles querem dizer e creio que

    todos os que avaliam grande número de valores glicemicos nos pacientes, sejam

    fazendo downloads dos mesmos, seja avaliando “o caderno de anotações

    glicemicas” é a grande variação que voce pode encontrar nos SD

    (standard deviations) obtidos para as mesmas médias glicemicas e A1c

    próximas.
    Não é incomum vc encontrar pacientes com mesmas

    médias glicemicas, e desvios padroes muitos diferentes, o que implica em

    variações diárias incomparáveis.
    É claro que a

    mudança proposta do ponto de vista operacional será um transtorno, e

    nós dos paises periféricos, que ainda não conseguimos implantar o

    método com o uso do padrão ouro (HPLC) nem nas principais cidades do

    pais, seremos os que vamos sofrer mais e que na minha opinião se pudessemos

    esperar mais para a mudança teriamos menos problemas.
    Porém

    não deixa de ser verdade, que um resultado que contemplasse um valor de

    referencia A1c menor (em torno de 2% a menos), como o sugerido pela Sociedade

    Europeia de Patologistas Clinicos e que levasse em conta além da média

    glicemica,os desvios padrões obtidos em cada horário, refleteria melhor o

    controles obtidos em cada caso, isto lá é inegável.
    Por

    último quero dizer que como vcs eu “rezo” para que tal mudança

    não ocorra tão cedo, mas creio que nós como País

    periférico, não conseguiremos influenciar o resultado final desta

    polêmica.

  18. Walter J Minicucci Says:

    O que eu gostaria mesmo de saber é o que o Dr Bernardo Leo

    acha de tudo isso.
    Walter Minicucci

Deixar uma resposta